Um levante popular conhecido como Revolução de Outubro derrubou a longa ditadura de Jorge Ubico em 1944, dando início a uma década de reformas democráticas sob os presidentes Juan José Arévalo e Jacobo Árbenz. O governo de Árbenz buscou um ambicioso programa de redistribuição de terras que transferiu áreas não utilizadas de grandes latifúndios, incluindo propriedades da empresa norte-americana United Fruit Company, para camponeses sem terra.
As reformas de Árbenz atraíram a oposição das elites locais e dos Estados Unidos. Em 1954, uma operação militar apoiada pela CIA o forçou a deixar o poder, instalando uma série de governos militares ou alinhados aos militares. A repressão política e a desigualdade social alimentaram o surgimento de movimentos guerrilheiros de esquerda e, em 1960, a Guatemala entrou em uma guerra civil entre o Estado e grupos insurgentes que contavam com o apoio de comunidades indígenas maias e camponeses rurais.
O conflito, um dos mais longos e letais da história da Guerra Fria na América Latina, intensificou-se ao longo da década de 1970 e atingiu sua fase mais brutal no início dos anos 80, sob o comando do general Efraín Ríos Montt. Suas campanhas de contrainsurgência incluíram massacres e táticas de terra arrasada contra aldeias maias. Uma comissão da verdade apoiada pelas Nações Unidas constatou mais tarde que mais de 200 mil pessoas foram mortas ou desapareceram forçadamente durante a guerra, sendo a grande maioria indígenas maias. Os acordos de paz assinados pelo governo e pelo grupo guerrilheiro URNG em dezembro de 1996 encerraram formalmente o conflito de 36 anos.
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