O século XX em El Salvador foi marcado por desigualdades profundas na posse de terra e no poder político, que vinham desde o século anterior. Por décadas, a elite salvadorenha, com apoio militar, resistiu a reformas econômicas reais, e as demandas populares por mudança foram sempre reprimidas com violência. Esse ciclo chegou ao ápice em 1932 com La Matanza, um massacre onde o exército matou cerca de 30 mil camponeses para impedir uma revolta planejada. Esse trauma deixou uma marca profunda na memória política do país.
Essas tensões mal resolvidas explodiram em uma guerra civil por volta de 1979-1980, colocando o governo, dominado pelos militares, contra a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, uma coalizão de grupos guerrilheiros de esquerda. Com o medo da Guerra Fria, os Estados Unidos enviaram muita ajuda militar e econômica para as forças armadas salvadorenhas, o que prolongou o conflito e fortaleceu a posição do governo. A guerra de doze anos foi marcada por graves violações dos direitos humanos, incluindo o massacre de civis em El Mozote.
O combate terminou com a assinatura dos Acordos de Paz de Chapultepec em janeiro de 1992. Eles reestruturaram as forças armadas, criaram uma nova força policial civil e permitiram que a FMLN deixasse de ser um movimento insurgente para se tornar um partido político legal. Os acordos encerraram formalmente um dos conflitos mais sangrentos do século XX na América Central, embora as disparidades sociais e econômicas que ajudaram a iniciar a guerra continuassem a moldar a política salvadorenha muito além de 1992.
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